pudesse e seria
secreta pessoa a ir
com o vento toda vez
que ele arrastasse do teu olho
uma sombra, deixasse um nome
sem nome em tua boca, arrepiasse
o desejo em teu ouvido.
nunca porém me foi dada
mágica nenhuma de voar
ou senão não
estaria onde me ponho: puro
papel, palavra sem seda, mel
coagulado que não roça teu
sexo, ao contrário: nem chego
a escrever um poema
que te diga, de fato
qualquer aviso de que o amor
mesmo escondido e não feito
permanece e percorre o espaço
todo, feito o vento.
pudesse, e seria...

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