segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

granada de espanha

granadas antipessoal nas mãos dos homens de perto - granada de mao - fotografias e filmes do acervo 

De longe o colar
parece uma pinha
mas é uma granada,
pingente sob controle
desafiando a argola
fora de equilíbrios.

Mastigo pedacinhos
de amor e morango,
a cada passo
o arame farpado
entre os dedos.

No entanto caminho
de olhos bem fechados
e sorrio a cada passo
cada rajada de vento.

É guerra sem estratégia,
sou meu exército,
exercito a escrita
do sonho e não visto
uniforme o sentimento
segue a cinética
dos pingos nos irmos
nos vamos e vamos
que não chegam
a abismo, são
frestas na porta
invisível por onde
não entro, porém
aviso, vou entrar
sem ser vista
apenas para uma
visita breve,
semibreve, colcheia.
Colchão, não.

zereum


 

 

 

 

 

 

 

 

 

agora sim!
era só o que
que me falta
va, dormir
cheirando esse lenço
com medo que o perfume
saia. escorrego do lençol
e procuro na cozinha
um saco plástico.
vou sufocá-lo
como quem sufoca
uma personagem
de desenho animado que carrega um paninho
pra todo lugar.

agora sim
parece que sinto
esse cheiro
desde antanhos
entranhado
em um neurônio
novo tenho fé
(ou algo parecido):
se o saco não
segurá-lo...

entre uma noite
e outra
e também
tenho cheirado
esse lenço pela manhã
antes do jantar
e penso: uma vez
ou outra
pelas tardes.

era só o que me faltava,
um neurônio a mais,
especializado.

[imagem: IA: xêt!]
[não é 0 e 1. seria quântico. é zero ou um]