
a mãe-da-lua é coruja
corva e carcará,
mede mais de palmo
sem contar o rabo
quando muitas
são uma corja
que se camufla há dois
milhões de anos
quando uma
quando duas
quando quer
parece um pau
e sua cria
pedaço de ave parada
longe dos humanos
dentro das humanas
foi
não foi
foi
não foi
de inveja lançaram
uma história de presságios ruins
anúncios de mãe
tudo mentira!
em seu voos
de noturnagens
espalha o canto alegre
das mulheres tristes
as falas breves
das mulheres céleres:
uma criança no braço
um homem grosso
um cesto de roupas
um osso sujo de carne
para o jantar
das mulheres mansas:
um choro fácil
um batom bege
um vestidinho claro
um não que não
se ouve
das mulheres fartas:
um martelo frio
uma arte perigosa
um grelo duro
uma outra
mulher macia
das mulheres frias:
um caderno aramado
um biscoito velho
uma flor bizarra
uma palavra serve
para enferrujar
das mulheres grandes:
um sapato apertado
um cabelo roxo
um brinco no olho
uma bunda gorda
um dedo na cara
contra o mau olhar
das mulheres feitas:
uma coxa mole
uma toalha em sangue
um peito cruzado
um fogão sujo
um na pia fode
um útero enorme
onde se nadar
foi
não foi
foi
não foi
agora vai
─ eu voo vou vejo
com dois olhos doidos ─
uma revoada
de nyctibiidaes
vassouras e chapéus de couro
fazendo sombra na lua
ou em dias estrelados
─ mas você não vê.
foi. foi. foi.
:: urutau ::