sábado, 22 de fevereiro de 2014

permissividade












consinto que não me dirijas
a palavra,
que siga eu
igualmente calada
diante de todas as dores
desfrutadas.
e para alívio?
nenhum gole
de nada, mezinha alguma.

permito que por medo
ou desconhecido
continues a deixar
aos dedos frouxos
dos tempos
o difícil serviço
de suportar o vento
e a dança da areia
enquanto
o que sentimos
escorre sem verbo
que atenha
entre uma boca
e outra boca
o beijo.

e porque cedo
– e cedo ou tarde
hão de esvair-se
as ilusões sinceras,
como do cedro
cada vez mais longe
o olor se sente –
a culpa de todo erro
que não cometeremos
é minha

sábado, 15 de fevereiro de 2014

fixação


a boca seca, os olhos
não consigo olhar nos olhos.
é como se pudessem ali
a violência das roupas
rasgadas docemente
e o silêncio das músicas clássicas.
desnudamento dos tons crepusculares
da pele entardecendo enquanto o mar
prende o sol nas águas.
sombras nos olhos secos, sombrio
lábio de batom escuro que trago
à noite com luvas nas mãos e espelho.
escuto a boca seca, os olhos acesos
e vermelhos sinais de alerta.
quase não encontro ritmo
a voz tropeça
o caminho tem paredes acrílicas
e alegres. sem olhar nos olhos, os olhos
desprezam a pressa e se fixam
como nos sonhos: olhar 
sem rosto.