a boca seca, os olhos
não consigo olhar nos olhos.
é como se pudessem ali
a violência das roupas
rasgadas docemente
e o silêncio das músicas clássicas.
desnudamento dos tons crepusculares
da pele entardecendo enquanto o mar
prende o sol nas águas.
sombras nos olhos secos, sombrio
lábio de batom escuro que trago
à noite com luvas nas mãos e espelho.
escuto a boca seca, os olhos acesos
e vermelhos sinais de alerta.
quase não encontro ritmo
a voz tropeça
o caminho tem paredes acrílicas
e alegres. sem olhar nos olhos, os olhos
desprezam a pressa e se fixam
como nos sonhos: olhar
sem rosto.
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