sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

josé julio jorge



a noite é imprecisa
navio na corcova
do camelo
o homem se abriga
na tempestade
de si mesmo.

dois
o deus e ele
entre os raios
procurando
os dias no espelho.

a sorte é escondida
enguia em meios às algas
pesadelo
o homem se acredita
náufrago do naufrágio
de si mesmo.

pelas ruínas
-cego -
circulares
lendo labirintos
com os dedos.

a morte é esquecida
memória contrária do começo
o homem se multiplica
no mito, no ídolo, no avesso

e é o tempo
espuma
sobre os mares
um segundo
único e espesso