durante o ano inteiro
alimentou o silo
com ódio, milho e mel
e regou com botelhas
de raiva
até fermentar.
durante o ano inteiro
viveu dessa ração
cinzenta
e quis que morresse aquele
e empesteasse aquela
e sequelasse aqueloutro.
durante o ano todo
cavou fossas e poços
que camuflou com risos
e abraços magros
esperando a queda.
durante o ano
rogou pragas, levantou falsos
desejou fortíssimo que fosse
tudo impróspero
e que minguasse a água, o pão,
a palavra e o ócio.
agora, duro e inteiro
traz presente secreto
e convite para a ceia,
alardeia a paz
e escreve no cartão
o quanto amor é sério.
poupe-me do seu do natal
invero.
e para o que não vestiu
esse capuz de trevas
um feliz natal e um ano novo
às veras.






