a mãe-da-lua é coruja
corva e carcará,
mede mais de palmo
sem contar o rabo
quando muitas
são uma corja
milhões de anos
quando uma
quando duas
quando quer
parece um pau
e sua cria
longe dos humanos
dentro das humanas
não foi
foi
não foi
uma história de presságios ruins
anúncios de mãe
de noturnagens
espalha o canto alegre
das mulheres tristes
as falas breves
uma criança no braço
um homem grosso
um cesto de roupas
um osso sujo de carne
para o jantar
um choro fácil
um batom bege
um vestidinho claro
um não que não
se ouve
um martelo frio
uma arte perigosa
um grelo duro
uma outra
mulher macia
um caderno aramado
um biscoito velho
uma flor bizarra
uma palavra serve
para enferrujar
um sapato apertado
um cabelo roxo
um brinco no olho
uma bunda gorda
um dedo na cara
contra o mau olhar
uma coxa mole
uma toalha em sangue
um peito cruzado
um fogão sujo
um na pia fode
um útero enorme
onde se nadar
não foi
foi
não foi
─ eu voo vou vejo
com dois olhos doidos ─
uma revoada
de nyctibiidaes
vassouras e chapéus de couro
fazendo sombra na lua
ou em dias estrelados
─ mas você não vê.
:: urutau ::

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