no candelabro
dois cristais falsos
pendurados no retrato
nossos olhos denunciam a solidão
do amor que nunca soube
o que é pecado
que em divinos descalabros
se desfez nas pequeninas ilusões.
tanta coisa eu escrevo
contrárias ao que digo
ao que faço... a verdade é o descompasso
pois o amor e o desejo estão distantes
quando mentes, quando estanques
nossas mãos ainda assim se procurando.
permanentemente iguais
nosso calor, nossos sinais
palavras que ainda diremos
normais, sobre o tempo
o mormaço.
nas estradas
vicinais encontraremos povoados
pousadas que acolherão
nossos novos amores proibidos
e em cada canto desforrado
nos travesseiros procurarei
seu cheiro nas toalhas
no ar sob a copa das árvores
na velocidade das cercas passando
por mim e devorarei o barro
o asfalto os paralelepípedos
e com todos esses indícios
rabiscarei mais uns colapsos
acasos no palimpsesto de
nosso amor rasgado.

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