nesse desterro
invejo o óbvio
martírio preso
à esperança.
caço com bacamarte
coisa velha, traste
um resto de pontuação
que me exista
e é mentira teu verso
não tem eu.
à esperança.
caço com bacamarte
coisa velha, traste
um resto de pontuação
que me exista
e é mentira teu verso
não tem eu.
lente de aumento
csi, dna, excremento
um fio de sobrancelha
um cheiro de inverno
uma marca de pneu
um ferrão de abelha
vestígios de mim
que não encontro
no meu inferno dói
o nervo estraçalhado.
csi, dna, excremento
um fio de sobrancelha
um cheiro de inverno
uma marca de pneu
um ferrão de abelha
vestígios de mim
que não encontro
no meu inferno dói
o nervo estraçalhado.
cães açulados, meus hormônios
carimbados correm o hades inteiro
carimbados correm o hades inteiro
te perseguindo, e, ao contrário, prisioneira
no antebraço o número
que me identifica no campo
de desconcentração: em vão
bocejo sobre as letras do livro
não leio, não ligo, atônita
vestindo a túnica de silício
sacrifício involuntário
que as mãos digitam
enquanto não existo
no teu verso. tortura
que a tesoura do medo
costura pelo avesso
e a linha fina do meu desejo
é tracejado que não sabes.
no antebraço o número
que me identifica no campo
de desconcentração: em vão
bocejo sobre as letras do livro
não leio, não ligo, atônita
vestindo a túnica de silício
sacrifício involuntário
que as mãos digitam
enquanto não existo
no teu verso. tortura
que a tesoura do medo
costura pelo avesso
e a linha fina do meu desejo
é tracejado que não sabes.
nem teu desprezo eu sou
o meu inferno dói no nervo
porque teu verso não tem eu.
diga-me, indique, finja
permita por uma fração de segundo
penetrar meu nome
e dizê-lo, voz alta
grito, desmantelo.
permita por uma fração de segundo
penetrar meu nome
e dizê-lo, voz alta
grito, desmantelo.
deixe. me deixe um sinal
aflito como o timbre do vidro
das torres derramadas
aflito como o timbre do vidro
das torres derramadas
deixe. me deixe um signo
na água-furtada, uma flor
um pingo de colírio
uma ponta de cigarro.
na água-furtada, uma flor
um pingo de colírio
uma ponta de cigarro.
deixe. me diga, de um jeito
de outro, por brincadeira
um enfeite, ouro de tolo
me engane, mas me queira
por capricho, pra ser cruel.
eu quero mesmo esse mal
feito. já que agora é tarde
eu já não mordo, não ladro
sou o pântano onde o silêncio
é flamingo e lodo. sou o escândalo
que tenta a ferro e fogo
matar as palavras
mas elas são as garras, as unhas
infiltradas nas paredes,
nos azulejos do banheiro
a cortina que despenca
e a música de suspense
que me espera com a faca
da psicose. terminado o drama
um fio de molho de tomate
escorre pelo ralo.
de outro, por brincadeira
um enfeite, ouro de tolo
me engane, mas me queira
por capricho, pra ser cruel.
eu quero mesmo esse mal
feito. já que agora é tarde
eu já não mordo, não ladro
sou o pântano onde o silêncio
é flamingo e lodo. sou o escândalo
que tenta a ferro e fogo
matar as palavras
mas elas são as garras, as unhas
infiltradas nas paredes,
nos azulejos do banheiro
a cortina que despenca
e a música de suspense
que me espera com a faca
da psicose. terminado o drama
um fio de molho de tomate
escorre pelo ralo.

Um autoretrato de olhar e palavras desconcertantes, Frida Kahlo! Amo.
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