quinta-feira, 18 de junho de 2009
descoberta
manhã cansada!
agora já sei
até o nome da tua amada,
sei no que ela trabalha,
vi fotos e entendo teu mau gosto.
mesmo assim fiquei irada.
ri de mim
e me vi como a jia que pula no poço
de água gelada, barulho pequeno,
me senti um haikai atrapalhado
um poema riscado
uma folha no lixeiro magro
do escritório, bola de papel
esfera amarfanhada.
a vontade é fechar
os olhos, a boca
não dizer mais nada.
mas falo.
ri de mim e te mandei
à merda. mas não adiantou
muito. ainda não fechei
o circuito do meu corpo
não me fiz imune ao teu nome,
nem o torpor do ciúme
me acalmou.
por fim, ri de ti e decidi
que não te amarei
de novo. és agora
apenas uma mira, um alvo
onde atirarei palavras
ásperas. e não esperes
que no meio do caminho
eu tropece e caia, volte
atrás e me traia.
ri. te matei parte por parte,
te esquartejei com um alicate
de unhas. não vou te canibalizar.
vou jogar no mar esses pedacinhos,
mas não serás isca porque não quero
os peixes que te trarão na barriga.
sim. é uma escritura irada.
mas tu não me conheces
e me conheço: isso passa.
não vou tomar um porre de vinho
não vou me jogar na calçada
não vou espetar meu dedo no espinho da rosa
não vou permitir que a raiva exploda
não vou me comer pelas bordas
não vou deixar que me roas
e não vou deixar que a tarde continue
cansada, como essa manhã.
vou fazer orações poderosas
pais-nossos, ave-marias
vou fazer de conta que nunca existirias
se eu não te tivesse criado.
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Irado, apaixonado e apaixonante!!!
ResponderExcluirbjs