Levei o dia a tremer de amor
como se algo
(não faço ideia do quê)
estivesse acontecendo
(não imagino onde).
Sim, o amor é invenção
dos individualistas burgueses,
sentimento liberal,
ilusão que não dura seis meses,
construções do romantismo,
de verter até o suicídio,
de morar em gueto
infestado de vícios
e escuridão. Sofrimento
que não vem de fome
de comida, coração de quem tem
onde morar e é está bem servido,
servida. Amor que, Carlos, filho nosso,
é assim mesmo, claro e enigmático.
O dia me levou assim:
estômago na garganta
borboletas de febre na fronte,
agitação de bandeira de renda,
suores inexplicáveis:
talvez não seja amor,
seja vírus: amor de pandemia.
segunda-feira, 25 de julho de 2022
tremendo
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