segunda-feira, 25 de julho de 2022

tremendo





















Levei o dia a tremer de amor

como se algo

(não faço ideia do quê)

estivesse acontecendo

(não imagino onde).



Sim, o amor é invenção

dos individualistas burgueses,

sentimento liberal,

ilusão que não dura seis meses,

construções do romantismo,

de verter até o suicídio,

de morar em gueto

infestado de vícios

e escuridão. Sofrimento

que não vem de fome

de comida, coração de quem tem

onde morar e é está bem servido,

servida. Amor que, Carlos, filho nosso,

é assim mesmo, claro e enigmático.



O dia me levou assim:

estômago na garganta

borboletas de febre na fronte,

agitação de bandeira de renda,

suores inexplicáveis:

talvez não seja amor,

seja vírus: amor de pandemia.

:: birth of virus | robert steven connett, 2020 ::

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