Permito, inclusive, que penetres
o meu ser simbólico, imaginário
ao qual nem eu acesso ou tenho,
e a carne, inclusive.
Demito até meu nome:
que me chames é suficiente,
na demência do amor podes, inclusive,
não chamares
que eu vou.
Repito mantras que não aprendi,
cruzo dedos trêmulos,
persigno-me falsamente
credos rezo habitando fés
que moram longe, inclusive
inexistentes.
Invito palavras
como quem chama os exércitos
para batalha santa e negra
e atendem orixás de seda
e vinho. Bebo chás de ervas
desconhecidas sem temer
que, inclusive, me matem.
Dramatizo as horas,
ouço canções de exílio,
sonho esse lugar onde há grilos
e luzes não identificadas
passeiam no horizonte escuro
onde, inclusive, não me encontro.
Mastigo as saudades,
chiclete que ponho na geladeira
junto com açúcar, inclusive,
e masco os círculos de fumaça
que desenho, redondos.
Aspiro o frio de julho
feito quem aspira um beijo,
inclusive no agosto próximo
e em dezembro, porque todo ano
o que sinto será inconclusivo,
contínuo e fluido devirá
como por enquanto.
sexta-feira, 15 de julho de 2022
inclusive
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