terça-feira, 5 de julho de 2022

across the universe

















sem linguagem ao alcance

enquanto acontece

vaga pelos corações um sangue

onipresente e alegre, quente

como um meio-dia de verão

em praia do nordeste.

mais além do compreensível

explode o tempo, quebra tudo

amansa a noite e o dia

manipula as regras da obediência

arranca o normal da vida à unha

reconhece o pulsar e assombra.



sem pretensão ou alvo

enquanto desaparece

voa nas asas incandescentes,

oníricas, do desejo

carrega o universo indecente,

errante, impossível,

mel que nenhuma abelha urdiu

erode a pedra, é um fio

amarração invisível de prata

mar que invade as pernas

alcança as veias e os olhos

remove a dor e as sombras.



sem querer vê a estrela que cai

e a apanha na garganta,

vela que se estufa e não há vento.

onde nada estava certo

começa um rito de erros sucessivos,

espanta o mal com largo riso.

mergulhando em lava e precipício

entende, não entende, aceita

amargo o gosto do licor

maravilha-se e se expande

até adormecer o medo

respira à sombra e acorda.


inacreditável.
incontrolável.

incontornável.
inapreensível.

:: la corde sensible | magritte, 1960 ::


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