sem linguagem ao alcance
enquanto acontece
vaga pelos corações um sangue
onipresente e alegre, quente
como um meio-dia de verão
em praia do nordeste.
mais além do compreensível
explode o tempo, quebra tudo
amansa a noite e o dia
manipula as regras da obediência
arranca o normal da vida à unha
reconhece o pulsar e assombra.
sem pretensão ou alvo
enquanto desaparece
voa nas asas incandescentes,
oníricas, do desejo
carrega o universo indecente,
errante, impossível,
mel que nenhuma abelha urdiu
erode a pedra, é um fio
amarração invisível de prata
mar que invade as pernas
alcança as veias e os olhos
remove a dor e as sombras.
sem querer vê a estrela que cai
e a apanha na garganta,
vela que se estufa e não há vento.
onde nada estava certo
começa um rito de erros sucessivos,
espanta o mal com largo riso.
mergulhando em lava e precipício
entende, não entende, aceita
amargo o gosto do licor
maravilha-se e se expande
até adormecer o medo
respira à sombra e acorda.
inacreditável.
incontrolável.
incontornável.
inapreensível.
terça-feira, 5 de julho de 2022
across the universe
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