Meu coração quer te expulsar,
eu toda sofro os efeitos enjoativos
e bilaterais: nos pulmões, nos braços
nos olhos, nas mãos, nos seios, nos pés.
A cabeça não acompanha o jorro,
não se rende, te quer até o fim.
E os ouvidos, de fato, não aceitam
tua partida, assim, depressa
antes que algo aconteça
antes que um amanhecer...
antes do brinde.
Quanta contradição à poesia!
É a razão que te ama mais,
o sentimento de fugir
é desmandado, não é a loucura
a querer-te, é o quereres vasto
cantando, encantado:
é o pensamento.
Os barcos se chocam no mar
da luz de junho, com seus céus
noturnos, nublados, e outros
limpos, todos azuis e estrelas
esperando meu olhar na noite
de São João a rogar,
junto a milhares, que olhes
para a imensidão e vejas
como ela é linda.
♫ Olha pro céu, meu amor ♪
:: noite estrelada sobre o ródano | van gogh, 1888 ::





