quinta-feira, 19 de maio de 2022

oficina do adeus















da caixa de ferramentas
retirei o martelo, o alicate,
a furadeira, alguns pregos

chaves de fenda, um cutelo
um bisturi velho e o estilete
enferrujado.
amolei o facão.

ao lado, o botijão
vazio de meus medos,
o cavalete jazido
de desejos,
uma arruela solta
como anel.

primeiro
livrando os braços
retirei a camiseta
básica branca
uniforme.

calculei entre os seios o espaço
inexato onde você morava
e usei todos os instrumentos
para arrancar, sorrindo
entre fagulhas
o coração.

era ele ou eu ou
a desilusão.

jaz no chão
de ferro
essa peça rara.

na oficina
ninguém repara
a dor.

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