domingo, 15 de maio de 2022

trígono















debaixo do barro
dois pedaços gêmeos
de pedra que juntados
em minha palma
são um coração:
a mão, o pulso.
 
sobre a pele
incontáveis células soltas
revoltas, crescendo
em meu corpo
são um sinal:
o osso, o músculo.
 
entre o medo
e o desejo, exaustos,
tudo o que você
não quer de mim
persisto em oferecer
porque não sei fazer
de outro jeito.
 
no céu o triângulo, 
– absurda madrugada –

enquadra os efeitos
dos olhos abertos
a poder de nada.
 
a perder de vista
rolam as batidas
do meu peito
estrelançado:
cometas, planetas,
ventrículos
e um vazio
ab
negado.

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