da caixa de ferramentas
retirei o martelo, o alicate,
a furadeira, alguns pregos
chaves de fenda, um cutelo
um bisturi velho e o estilete
enferrujado.
amolei o facão.
ao lado, o botijão
vazio de meus medos,
o cavalete jazido
de desejos,
uma arruela solta
como anel.
primeiro
livrando os braços
retirei a camiseta
básica branca
uniforme.
calculei entre os seios o espaço
inexato onde você morava
e usei todos os instrumentos
para arrancar, sorrindo
entre fagulhas
o coração.
era ele ou eu ou
a desilusão.
jaz no chão
de ferro
essa peça rara.
na oficina
ninguém repara
a dor.




