domingo, 21 de fevereiro de 2021

lá e ou cá



















não há nada na vida melhor que alucinar-
se
na plena consciência –

que a sombra em movimento
é o escuro
soprado pelo vento
e a pouca luz
atravessando
a cortina
não inspira

medo de ver-
te
em carne,
duplo corpo
que desconhece
fronteiras de terra
ou
mar, países

deitados, em sono, ou
junto a outro, ou
bêbado na varanda
rosto para o céu
nuvens, frio, estrelas
imaginando, ou
flutuando sobre
ruínas reais
da cidade de pedra
(lá, ou
aqui e lá ou)
mais velha que a história.

– que é tudo matéria, até o sonho, ou
não sei se acendi
a luz
para escrever, ou
estancar tanta
alucinação que escorria em mim.

:: le cirque bleu | marc chagall 1950 ::

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