a jangada
inteira
é adaga
na coincidência
entre a água e a espuma,
o que se abre e se fecha
entre uma existência
que “é” apenas no desatingir
da retina fixa – olho
do interior –
não é, afinal,
durante
ainda menos.
o caminho, mastigado
pelo
corpo
boca
caninos
molares do mar
impermanente – desde o porto
defendido por uma lâmina
de rocha –
se foi um caminho
já não lembra.
uma unha
espúria, uma linha
de saliva ainda por escorrer,
uma gota de pus
poderia ter dado ao caminho
um nome.
o nome não me diria
algo,
nado,
respiro,
moro
mais longe
a cada dia
dos lugares estridentes
onde as correntes de perguntas
inúteis impedem que se console
a jovem que chora¹
porque se foi seu primeiro amor
ou que se compre duas maçãs
(elas retornam, pecado melhor)
uma para o menino, outra para ti².
tenho aprendido
bem
devagar
que
há mais estrelas
na dança dos dedos
que acompanham o estender
dos braços (o peito aberto, desimportância
do coração errado)
como asas das notinhas
pequenas que pulam das cordas³,
há mais de vida
nas mansas borboletas de fogo
tão meninas
que abandonam a fogueira
e se desmancham no ar
“já”
são o céu4.
tenho aprendido
bem
devagar
que
há mais
entre o livro e a cadeira:
o retorno do que chamam
sentimento,
e se ele é estilete
corta a-
penas para
proteger.
:: ponta de flecha ::
:: lendo esporas ::
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¹ barco de papel
² doña maría
³ la novia tierra
4 cartas de amor que se queman

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