Queria ter um corpo jovem,
ágil. Aliás, pensando de novo:
jovem? Desnecessário! Bastaria um
saudável, pois teu olhar adorável
não vê caras nem exige perfeição.
Queria um corpo
para sacrificar no altar
dos desejos: a boca.
Sem pestanejar, de olhos
bem fechados colar
meus lábios nos teus.
Louca!
A paz, talvez excessiva,
nos faria mal. Brincadeira!
Amor e paz não sabem de excessos.
Só eu, mesma, incurável,
brincando de te enganar, mas
brincando entre nós,
ninguém mais
porque não sou passarinho,
não iria polinizar
sequer os teus próprios jardins,
muito menos beijar
flores alheias
que mal tenho tempo
para um passeio
secreto
na ponta dos dedos
dos pés: não posso acordar
teu coração solar
que sonha.





