disco novo
ouço
cantora nova
enquanto o colírio alcança o fim do olho
(a velhice começa a me cegar).
me pergunte que eu não saberei responder
porque acredito que num logo em breve
estaremos lado a lado
escutando o hino de duran.
eu cato palheiros, mas encontrei você
não é a primeira nem última agulha
mas estou sempre apostando.
por quê?, me pergunte e eu respondo:
porque sonho.
desde sempre, desde que me lembro
invento amores-cazuza
que não se podem consumar.
curiosidade? mato: melhor assim,
porque assim tenho o melhor
o mais escolhido, o exatamente
desejado. e se permaneço distante
se no máximo desses sentimentos
palavras são o que extraio
tem também o seu sorriso
para provar que acertei
mais uma vez, e quem sabe
entre um talvez e um dia
um buarque, um gullar
uma thais.
além do mais é mais fácil
sem toalha molhada em cima da cama
sem pasta sem tampa e a gosma branca
sem defeitos sem traição sem medo
sem supermercado sem brochada
sem dúvida.
sem dúvida.
além do que é o que eu posso
contra a distância e o desconhecer
contra a morte que pode ocorrer
contra o ciúme em longa metragem
contra as possibilidades de todo ruim.
então posso dizer que amo
com firmeza com sentido
com a mesma libido que existiria
com a boca em seu sorriso
com o cálice com o mar
com seus dentes em minha língua
com a rima e a canção
com o corpo no tapete
com o corpete e o mundo antigo
78 rotaçoes, beibê.