Nem notei o quanto minhas unhas estavam grandes e sujas.
Notei como parecia fora de mim.
Nem notei que fui. Nem notei que vim.
O que restou? Grãozinhos de areia no ouvido direito. A onda me levou.
O que restou? Já disse: grãozinhos de areia no ouvido esquerdo.
E um mar de coisas que ainda tenho pra dizer.
O que restou? Um ombro da t-shirt cheirando a você.
E eu me cheirando na viagem de volta.
O cheiro do café que penetrou o sofá.
As latas e latas e latas de cerveja.
As piolas e piolas e piolas de cigarro.
O que restou? Grãozinhos de sua risada nos meus dois ouvidos.
O carro sujo. As pernas cansadas.
E a impossibilidade de tirar as imagens de dentro de mim.
É. Não restou muito. Tudo ainda está l-a-qui.
Restou meu castelo inexpugnável e sandálias perdidas.
Chaves perdidas, isqueiros perdidos.
Uma toalha usada e desodorante.
Dois universos em choque, e explosão e mais uma estrela recém-nascida.
Em alguns milhões de anos talvez essa luz me atravesse.
O que restou? Um prato inteirinho de camarão empanado
e a lembrança longínqua de um abraço. Agora só falta eu voltar pra onde
eu era
eu era
eu.
Agora só falta minha alma aterrissar na varanda.
O que restou? O de sempre. Nenhum começo.
O que restou? A pergunta insistente e a ressaca.
Uma roupa vermelha. Uma roupa amarela.
Seus olhos bêbados de... de quê mesmo?
Agora só falta eu morrer de novo.
Porque preciso renascer.
Restou o céu daqui e o sol sozinho.
O plano e o ponto............................................
[como sempre, me fez aprender algo fabuloso].
O que restou? Não restou nada.
“Cala a boca!”
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
por isso tanto onda: adivinhei
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Este comentário foi removido pelo autor.
ResponderExcluirDemais!!! "Cala a boca" e beija! beije muito e escreva ainda mais... bjos
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