duzentos e oitenta e sete anos
foi o tempo de espera!
e a noite do encontro,
fechada para reformas:
mas aconteceu:
entre escombros e tropeços
meu corpo não lhe disse nada
meus olhos estancados pelo amor
não lhe disseram nada
minhas mãos salgadas não fizeram nada
nadei até o fim da fachada
onde estavam escritos nossos nomes
e notei que estavam trocados
que embora os signos estivessem corretos
não me chamava. somente o meu pequeno fogo
estava aceso na praia: vela que o vento permitiu
se extinguir sem choro.
nunca nunca nunca
me senti mais perdida e achada
porque as certezas grita(ra)m alto, guitarras
em meu estômago, na pélvis, nos ombros
nos cabelos desgrenhados, na minha fala buliçosa
nas cartas do tarot. tudo imprime meu sentimento
perplexo de solidão. inimaginável. nunca nunca
nunca + nem - acreditarei nos sonhos e nas esperas
fantasmáticas.
duzentos e oitenta e oito anos se passarão
enquanto tudo permanecerá desperto.
abro os olhos, reforço o fôlego, acendo a boca
anteno os ouvidos e nunca nunca nunca
ouço nada diferente do que seu suspiro
confuso: não eram nossos nomes
mas éramos nós. nós miúdos, íntimos, profundos
nós e a lua enchendo para depois minguar
e revelar mais uma vez a inutilidade dos ciclos.
noite novamente e o tapete de prata leva ao horizonte.
nadei outra vez até o fim dos nossos nomes
e encontrei uma rima tântrica, verso quebrado
palavra tantálica posta em desacordo na música roubada.
até isso me foi negado. e por isso mesmo estou salva
até sua voz tocar meu hipotálamo
afetando meu sono, o metabolismo de minhas águas,
minha temperatura corporal.
enquanto escrevo minhas sobrancelhas crescem,
quem sabe isso me faça parecer comigo de novo
quem sabe o laço frouxo que fechou o céu e o cérebro
embrulhados, quem sabe...
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