sábado, 31 de maio de 2025

carta para zabé






































Leningrado
, 13:26:13  

zabé, prezada,

a saudade bateu e eu aqui pensando em você e seu pife e ao mesmo tempo lendo m., de frente para trás. nem sabia nem nunca procurei saber se havia outro que não o calhamaço sobre as cidades. quando eu penso em morar a primeira imagem que me vem depois do ed. dubai é sua casa.

que você era a história e não era chegada na cidade, que cidade tão perto e tão longe era aquela, zabé?

que história, a história das cidades! asfaltamos, cimentamos, gradeamos, lixaos, enlixamos, tapamos o chão inteiro enchemos de pesos enormes, gente no formigueirão monoloide rasgamos óleo o dia inteiro e queremos ainda acreditamos que as cidades são o futuro. a capa é cabulosa. só lembro de chico buarque contando suas experiências arquitetônicas. um comunista jovem a desenhar prédios, casas, sei lá, ele conta, pra milhões de pessoas e ri da própria inocência de arquiteto. a história como a vida a história é a vida mas a história é devagar nem tanto. foi ontem que a gente morava na loca.

hoje eu já ouço os sons da tradição e o tilintar do dinheiro correndo pela cidade de são joão, trinta e oito dias de muito tudo sexo drogas forró e uns sertanejo de lonnnnge, ganhando muito e cantando ligeiro pra ir simbora cantar noutro lugar e botar no bolso mais uns 500 mil. 

zabé, sei que você sabia, quando se é jovem, ou quando já se morreu, como você, zabé, mas dá aquela saudade e a gente se pega pensando no seu chapéu lenço de pano mãos magras franzinidade de flauta de madeira e vento, como não pensar no outro m., não o de lewis m., mas em maiakovsky e seus ossos sonoros.

escrevo por escrever, zabé. como quem faz por fazer, diz por dizer, fala por falar. canta por cantar. ama por amar. essas coisas que a gente mente. seus olhos molhados como não são sempre o sertão e o cariri as rochas montanhas de rochas cavernas abrigos nascentes comer as frutas de acender o fogo quando o frio é tão grande que só a pedra quente aquece. o fogo dança, mas platão não dança não há prisioneiros nem prisioneiras, zabé, sua livre!   

cartas devem falar de amor ou do tempo. devem falar do que quiserem as cartas. o português brincou que eram ridículas, don fernando de juan. dom joão, com seu ão português.

eu aqui vendo a capa do livro de lewis historia de las utopias editado pela primeira vez pelas pepitas de calabaza na tradução de diego luis sanromán em 2013, e eu tendo lido nos 1980s a história de mumford sobre cidades agora me vem essa imagem das cosmologia das bolhas cosmology bubles, o título original the story of utopias, e claro minha eterna paixão pelo colonizador more, tomás, morus, moria, mouro, o louco, o elogio de erasmo

tudo amo ao mesmo tempo lá no passado, junto com maquiavel e a galera do 1985, história. anos dourados quando já se podia ver uma luz no final dos longos 21 anos de ditadura 1989 já dentro da constituição cidadã, zabé, quase desprezada e ida no agosto de 2017, isabel marques da silva, nascimento em buíque, pras bandas de monteiro, no janeiro de 1924. cem anos faria ano passado, cento e um fez no janeiro deste ano de 25. escrevo nesse junho jenipapado a saudade das amizades que estão por aí quem sabe pensando na pirâmide do parque do povo rico. e dos lascado. que a pedra foi lascada tem a fogueira e os olhos de areia esfumaçada névoa que toca o chão de espinharas e de santa luzia do serrotão de quixabeira até princesa isabel da praia ao seridó de areia e esperança e coxixola no caminho que vai dar no brejo nas lagoas seca nova lagoinha mundo acima mundo abaixo paraíba tomando conta da porta pedreira pedreira visse criatura. e eu sigo aqui na vida você na roda de pife ainda rola. ribaçã. ave velha noventa e três anos.

a música-flauta, poesia-flauta, flauta inspirada antes de morrer fez uma gravação, o álbum bom todo. se for ouvir, vá na paz. com um clique você tem xote xaxado baião forró palha verde, tem meninada ciscando na poeira junto c'as galíneas. tem poeira de estrelas que jazem no chão e nós pisa, pisa na fulô e não maltrata meuzamô.

e os saltos

altos 

pelas 

pontes que ligam

uzplaneta.  

zzzzummmm. se foi zabé. carta póstuma.  

tryumph dos nazi em 43 na u.s., a propaganda antinazi e as mobilidades. se abrir, abra na paz.

:: gravura ::  les mystères de l'infini (frag.) | jean ignace isidore gérard grandville, 1843

não dá pra ver um animal humano ou não humano se engasgando, engasgado, esganado, humano ou não não dá muito menos para imitar sem dor alguma, sem sofrer um pouco, achando graça, se divertindo, dando risadinhas e mais risadinhas coringa. não. não é burro nem palhaço. nem fantoche e marionete ele vive uns fios de dólares e moedas e ouro e  pedras preciosas, vende um bem público significativo soberano a gramática não perdoa nem mata nem a língua áspera dessa coroa coroação de lata coração não tem muito não quem o viu e descreveu descreveu ainda tremendo de medo pois não havia nada nos olhos só uma lente e um paletó surrado de tanto servir de travesseiro na câmara do rio. muito sono, sempre. selva em sonho. somente. gosta é de esbaldar mandar gritar fingir imitar um ator bolso você mais falso que uma nota de suas operações. operação bexiga, operação nariz, operação rins, operação falcons de shift, operação eu já volto, operação no traço da barriga, atentado público em plena campanha, e atestados infinitos. digo, quase infinitos. uma faixa se ultrapassa de olhos vendados, você o impensável inadmissível ridículo desprezável desprezado ou fazendo o urutau, o infiltrado, supremacista branco com raiva espumante e sem argumentos, exceto estupro e morte. diz ele que é nisso que ele é formado, capitão de aço, e a risada o sangue subindo veemente como uma carpa na contramão. canhão de alumínio e vidro quebrado. ali eu confesso, chorei. anistia, não. não. o punho fechado ainda desce de novo outra vez ao lembrar por ter visto ao vivo, filmado, por ter visto como se algum orgulho... sei lá. ali qualquer um levemente à esquerda a esquerda já chorava de dor. janeiro. dia 8. e dia 7. de um setembro, de agosto de 1322. ela lembrava. era tão velha. mas tão velha... sabe, zabé,

inté. 

 

  

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