Caro Carlos, Leningrado, 14:53:010
como te disse
envio notícias
do nascimento.
de novo.
novamente
Espanhês
Portuñola
Chilena
Alemóna
Talhana
Brasileira
Paraibana
Seu nome
Ainda estou
Escolhendo
Se nació
Maestra
Como nascem
Todas as crianzas
Maçãs, da terra
Um punhado de gente
Atirado para trás
Um punhadinho
De linguagem
E menos silêncio.
A chuva cai fininha
O sol, luz branca
-- E sabemos o que a forma
pirâmide refratária
octaédrica, hexágônica,
tão grega e negra, azulesverdeada,
ondas de som, de silêncios,
em movimento contínuo nuvens
se afastam com o vento
tão forte (dia sem eclipses)
e não é um fevereiro bissexto.
Sim, Carlos, amado
em cartas, as primeiras
palavras já devem ser ridículas
sobre o clima, sobre a morte,
o frio, a bomba que explodiu
ali perto, tão perto
que ninguém adivinha,
como no livro de tomás,
ou nos escritos de úrsula
clarice, maria, méuri bi --
luz decomposta no arco da íris
isis velha, pra ser sincera
do círculo-íris
isis a velha e o espectro
a mulher e a irmã
se decompõe em todas
as cores que soubermos ver
sem o precisado de classificar
com uma palavra a cor
o dodecafônico, o falo,
A fala, o deserto, a neve
A montanha, o oceano, a pedra
O gás, o óleo, a água
agá dois ó.
Salgada. Salobra. Inadequada.
Rio de plástico e merda
E mijo e outras cagadas.
De petróleo, de retenções
De absurdas naves
Pra nenhures.
Perdão, carlos.
Penólope, penso, nunca llegó
em tus escritos, poemas,
delírios. Chegou?
Está respondido em Alguém
Em Algum poema irritado
Ou não.
Tu ainda a esperas, carlito?
Pergunto por perguntar
da mesma forma que amo
por amar, verso de hugo
moraga na voz de maría
Te escrevo, Carlos para te dizer
que tudo igual por aqui. Mas já não vives.
Sei que a vida te foi pesada e leve.
Bordaste linhas e linhas, de teu lugar
De tua verve, dos vestidos que assististe
De teus filhos que vieram, de tuas filhas,
Carlos, meu velho e dois livros finos
Pesados, que arvoram dizerem-os
Tua obra completa.
Patrocinado pelo banco
ex clusivo para vips
Livro em dois volumes azuis, vermelhos,
Vermelhos, platinados, dourados, cobertos
de tecido. Como vênus
Que virou planeta, como cassiopeia,
Como nebula rrróssa, lua de itabira
e de penedo ali, logo no perto
do estado do espírito santo, entre
O rio e a baía, minas, o mar de copa
cabana, e agora, fazer o quê?
Um jornal, disse lenine
você sempre esteve mais
para socialista, carlos,
amigo dela no ônibus.
Maria Clara, Maria Vanderley,
Maria Machado, Maria Valéria,
Penélope Xavier Gimenes.
Ainda tem a marcha pra gçuz, Carlos,
Querido. Morto. A morte rima com sorte.
Uma consoante e pronto.
Não há acordo.
Morreste.
Ficaram versos.
Por que amou?
Ganímedes.
Meu caro amigo, longa carta
Escrita desde que eu era jovem
Até ainda ex crevendo agora
Ichi lib dich, Carlos, tão alemão
Tão branco, tão magro, tão
Sueco tão Drummond.
Tão barbado, tão sem pelos,
sem um nome exato.
os nomes das cidades,
♫ o nome da cidade ♪
Tão marco ou José do Monte
Quanto quanta dor cabe em um abd
Omem de uma mulher
grávida gradiva ou não?
E agora, cara?
Sei lá, escreva um verso cante,
escreva num canto da parede,
na árvore perto da
privada alguns a tem por
pobreza outros por terem alguém mais
para limpar o dinheiro público.
Sem querer faltar e já faltando
deixando a educação respirar
eu queria ter perguntado:
carlos, quanto você ganha
qual é o seu salário de
guerreiro de roma nenhuma.
Seus versos não suportaram
ainda suportam umas perguntas
E agora, Alguém?
Calor, carlos, mas a avenida
nevsky está debaixo de água
o que me faz ter nenhum
a vontade de escrever
e também meus olhinhos
ardem e doem.
Com delicadeza,
Cassandra.
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