quarta-feira, 12 de outubro de 2022

laço

ver-te
vez por mês
(talvez mais)
olhares semanais
diários, e enquanto
dormes não olhar
teus olhos fechados
porque há nisso
um quê de macabro
um silêncio invasivo
um requebro de posse
inegável, um traço
desnaturado de assalto.

ver-te
sempre uma vez
mais, olhando o cais
os dias, o rio
e depois do almoço
deixar teu sono farto
no sofá, enquanto absorvo
meu sonho próprio
porque há nisso
um quê de amor insólito
um silêncio livre
possível, um abraço

infinito e fácil.

:: frida kahlo com "o abraço de amor do universo, a terra (méxico), eu, diego e o senhor xolotl" | florence arquin, 194? ::

 


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