terça-feira, 25 de outubro de 2022

arvoremo-nos






















sem ti

posso

mas não quero



navegar na estrada

de ferro, embarcar

nos risos, flutuar

em lodo



sem medo

posso

e não quero



entregar meus olhos

rasgar meu cheiro

romper o silêncio

com um berro



sem ti

ouço caminhos

e espero

flores, agulhas

costuram o futuro:



sem ti

um erro



sem chuva

sem sol

um abraço

que não seja teu

descarto



sem palavras

certa

sigo

asas quebradas



sem saber

se há outro lado

saiba

todo lado

onde quero estar

é teu.

:: baume in hugeliger landschaft | georg tappert, 1918 ::


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