terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

mais um ano

















estás tão longe de ser o que dizes
que não te alcanças.
nada te alcança.
e vives nessa poça de resíduos de vazio.
o que sobrou, irreconhecível
não quer espelhos, não olha para o céu
não se atreve a gritar.
as suaves mentiras, diárias
os sorrisos maleáveis
tudo nessa viagem solitária
é fumo e desperdício,
arquitetura de nuvens
que um sopro atravessa
para encontrar, novamente, o éter.
e no lugar transplantado, onde havia pensamentos
e no espaço transplantado, onde habitou o coração
(que não conheceu a sinceridade)
moram, colados no chão, sob os pés,
(e não mais no corpo erguido)
transplantados: espetáculo de artifícios
que explodem.

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