acima de você há um
acima desse um tem outro
continuando assim até o topo
afunila-se a hierarquia da bala
que desce depois de farda em farda
até o cano, até o fogo
debaixo de você há um
debaixo desse um, o chão
o sangue, apenas pancadas
em volta
a sirene insone
as grades, os maus tratos
o instituto médico legal
a vala comum
e nenhum nome
quase sempre a mesma
dor do irmão, da mãe ou não
quase sempre a mesma cor
o invisível coração
que, quem sabe o que passou?
recolha-se ao seu torpor
porque clichê é chato
quem sabe o que se passou?
se horror, se frio e fome
se ria a gosto quando atirava
se tinha medo, se tinha falhas
se falava grosso ou empostava
quem se importa a ponto de
calado, rente ao asfalto
deitar-se de braço dado
com o corpo, grande,
pequeno, de que tamanho?
menor?
.
..
...
acima de você há um
acima desse um tem outro
continuando assim até o topo
afunila-se a hierarquia da bala
que desce depois de farda em farda
até o cano, até o fogo.
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