segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

sinceros votos



















durante o ano inteiro
alimentou o silo
com ódio, milho e mel
e regou com botelhas 
de raiva
até fermentar.

durante o ano inteiro
viveu dessa ração
cinzenta
e quis que morresse aquele
e empesteasse aquela
e sequelasse aqueloutro.

durante o ano todo
cavou fossas e poços
que camuflou com risos
e abraços magros
esperando a queda.

durante o ano
rogou pragas,  levantou falsos
desejou fortíssimo que fosse
tudo impróspero
e que minguasse a água, o pão,
a palavra e o ócio.

agora, duro e inteiro
traz presente secreto
e convite para a ceia,

alardeia a paz
e escreve no cartão
o quanto amor é sério.

poupe-me do seu do natal
invero.

e para o que não vestiu
esse capuz de trevas
um feliz natal e um ano novo
às veras.

6 comentários:

  1. Posso dizer o que senti após a leitura? Posso? Posso mesmo?! Puta que pariu, que versos, que rima, que poema. E para quem VESTIU o capuz das trevas, vá se fuder!!!

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    1. epa! um presente de natal para mim. infelizmente acho q há muito cristão e cristã em quem o capuz cabe direitinho. obrigada! um abraço ♥

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  2. Respostas
    1. delícia é saber q ajudei a lavar sua alma rs obrigada! beijos ♥

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