quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

descartáveis















DESCARTÁVEL I

Farei um poema curto
de uso fácil, instantâneo
um verso desidratado
comum, assalariado
um pouco salgado
um pouco amargo e algo,
tanto assim, seco.
Poema sem exagero
de verbo azul desbotado
de metro livre caseiro,
quem sabe um poema inteiro
moderno e descartável.


DESCARTÁVEL II

Farei um poema leve
sem couro, carne, nem osso
feito um boneco de neve
faltando os pés e o pescoço
correndo o grande perigo
que cada verso derreta
escorra antes do almoço.

Farei um poema frio
gelado, batendo os dentes
mas que não chega a sorvete,
parece com picolé. Poema
que se se chupa
é pura tinta e açúcar
e água suja o poema.

Um comentário:

  1. hoje esse poema me derreteu e me escorreu pelo rosto num gosto de água e sal na boca.
    tão bom me sentir viva. obrigada por me lembrar disso.
    bjos saudosos!

    ResponderExcluir

a biblioteca de borges

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.