ninguém que eu conheça
mais que tu
ama trocadilhos assim
na missa
no engenho
na casa grande
no bueiro
na asa de um pterodátilo.
ninguém mais ama tanto
trocadilhos assim
como se fossem palíndromos:
irmãos gêmeos andando aflitos:
as roupas domingueiras pelo avesso.
és tão ancestral em mim
assim
como uma miss feita de papas
como uma cisma feita de mágoas.
uma única ceia magra
antes do cadafalso.
uma única cena
onde tuas penas
em revogadas
surtissem nenhum efeito
surtassem por sobre a água
feito pássaros
antes da temporada de caça
antes da ferroada que cada um
se aplica: quem depois do escuro
se lembra? só um nome de bar em recife.
depois do escuro.
depois do muro
depois das palavras que se dobram sobre si
como uma onda de asfalto.
não. não cremos em nós.
mentimos alto
e nossa última esperança
é que continuemos a mentir
que cada nosso passo
nos leve mais. nos leve.
nos enleveça. faça de nós
cada passo um centímetro a menos
nessa distância intransc
orrível.
:: noites de cabiria, giulietta masina | federico fellini, 1957 ::





