você precisa amanhecer com orvalho
acordar com um cachorro lhe lambendo a cara
ou o garoto olhando suas remelas azuis
depois precisa mais que correr pelo campo de girassóis
e alimentar a cobra: quer a música divinal tocando os raios de sol
que a vidraça filtra desenhando pó.
as cicatrizes brilham, brasas, a lâmina de diamantes
corta a maçã em pedaços: petit déjeuner.
almoça palavras verdes e verdades roseadas
o sorriso é sobremesa farta para quem habita
a outra cadeira.
a tarde larga seu calor nas almofadas
e o silêncio das vontades descansa como um gato.
à noite você precisa de galhos secos para acender a fogueira
seu acampamento, sua mochila, sua tenda: as copas das árvores
são países, o pio das corujas, despido do terror, é companhia.
e na manhã que o sonho cria você precisará de orvalho.






